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    O Nosso Mundo

    (O Nosso Mundo)


    Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
    Como um divino vinho de Falerno!
    Pousando em ti o meu amor eterno
    Como pousam as folhas sobre os lagos…

    Os meus sonhos agora são mais vagos…
    O teu olhar em mim, hoje, é mais terno…
    E a Vida já não é o rubro inferno
    Todo fantasmas tristes e pressagos!

    A vida, meu Amor, quer vivê-la!
    Na mesma taça erguida em tuas mãos,
    Bocas unidas hemos de bebê-la!

    Que importa o mundo e as ilusões defuntas?…
    Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?…
    O mundo, Amor?… As nossas bocas juntas!…

    Eu quero Amar

    Eu Quero Amar – Florbela Espanca

     

    Eu quero amar, amar perdidamente!
    Amar só por amar: Aqui... além...
    Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
    Amar! Amar! E não amar ninguém!

    Recordar? Esquecer? Indiferente!
    Prender ou desprender? É mal? É bem?
    Quem disser que se pode amar alguém
    Durante a vida inteira é porque mente!

    Há uma primavera em cada vida:
    É preciso cantá-la assim florida,
    Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

    E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
    Que seja a minha noite uma alvorada,
    Que me saiba perder ... pra me enc
    ontrar...

    Fêmea

    Fêmea - Caio Lucas

    Fêmea felina, abusada de desejos,
    corpo brilhando com óleo de cheiro
    e olhar fixo de libertina,
    seu pensamento é de pecadora convicta,
    aceitou o meu corpo e me convida para deitar,
    viro, delírio, minto, misturo o seu liquido no meu,
    me deleito no seu leito,
    gozo que esfolo e não me acanho,
    arregaço as roupas e viro pecador.

    O seu prazer me dá jeito,
    enquanto lambo sua boca
    faz coisas nos pentelhos,
    ralando pelo chão te escravizo,
    te deixo por baixo
    para te afogar com beijo grande,
    como no cavalo, salto e pulo por cima,
    pura felina no cio, como bicho urra e geme,
    enrosca que gruda e não deixa pra lá.

    É suor que pinga,
    vira molho de paixão e do prazer,
    esqueço do choro e da tristeza,
    mordo que até arranho com os dentes,
    que se dane os cheiros que excita,
    é o sexo a mostra, o feio que vira belo,
    a felina vem com jeito de fome e me come,
    me cega e bufa como vento que assopra
    até que meu corpo cheira ranço,
    o perfume dos sexos espalha enquanto grito,
    meus olhos fecham e abrem sem parar,
    minha boca vira tocha
    e queima no seio pontudo,
    dizendo palavras obscenas, me farto e gozo.

    Meu hálito não cheira mais bafo de tesão,
    o corpo melado e suado padece,
    acabou o fungado, a euforia,
    a felina também esmoreceu,
    mas continua a pecadora extasiada de gozo
    e não maldiz o prazer,
    cansados ajeitamos os corpos na cama,
    nos enrolamos em lençóis manchados de tudo
    com marcas das noites e dos dias,
    parei de escutar e recostei no corpo suado,
    cansado do sentir fui adormecendo,
    quase sem força dei um último beijo sem prazer.

     

    Onde Andaras meu Menino do Rio?

    Kd vc que nao te encontro heim??
    Um beijo com saudades!