Sandra 的个人资料CHEIA DE CHARME照片日志列表更多 ![]() | 帮助 |
O BC RACHOU. O QUE SIGNIFICA ISSO?O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu reduzir em 0,25 ponto percentual a taxa Selic. Segundo a nota do Banco Central, a votação foi apertada: 4 a 3. Ou seja, três integrantes do conselho queriam um corte de 0,50 ponto percentual na taxa de juros.
A economista da Tendências Consultoria, Alessandra Ribeiro, disse em entrevista ao Conversa Afiada nesta quinta-feira, dia 19, que esse “racha” mostra que há possibilidade de o BC cortar 0,50 ponto nas próximas reuniões (clique aqui para ouvir).
“Acho que essa possibilidade realmente se abriu após esse dissenso de ontem”, disse Alessandra Ribeiro.
Segundo Alessandra, a votação do Copom foi apertada porque “a melhora de todos os indicadores fizeram os membros do Comitê pensarem se não podem ser um pouco mais agressivos na queda”.
Leia a íntegra da entrevista com Alessandra Ribeiro:
http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/427501-428000/427619/427619_1.html SERRA PERDOA DÍVIDA DE EMPRESA JORNALÍSTICAO presidente eleito José Serra, três dias atrás, perdoou 90% das multas de ICMS de empresas que sejam “prestador de serviço de comunicação”.
. “Prestador de serviço de comunicação” pode ser muita coisa. . Pode ser emissora de televisão, emissora de rádio, a PHA Comunicação (que não deve ICMS mas presta serviço de comunicação) etc e tal. . De qualquer forma, parece muito interessante – se não for lesivo aos cofres públicos – um presidente eleito perdoar dívida de imposto de “prestador de serviço de comunicação”. . O Conversa Afiada confirmou nesta manhã de 19 de abril que, de fato, a secretaria de imprensa da Secretaria da Fazenda emitiu essa nota oficial . O Conversa Afiada perguntou também quem são os “prestadores de serviço de comunicação” que devem o ICMS. . A Secretaria ficou de informar. . Porque, como diziam os romanos, cui prodest? . Ou seja, toda vez em que um jabuti aparecer num galho de árvore vale a pena perguntar: a quem beneficia? . Leia a seguir a nota oficial da Secretaria da Fazenda. . Assim que souber cui prodest, o Conversa Afiada divulgará. http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/427501-428000/427622/427622_1.html Os americanos e o direito de matarPor Bernardo Joffily O tema está imbricado com o elevado grau de violência da sociedade americana, com seu extraordinário número de ''mass murderers'' (assassinos em massa) e seus congêneres, os ''serial killers'' (matadores em série).
RESENDE E O GRANDE GOLPE DO PLANO REAL “...(André) continuou tendo participação ativa nas formulações econômicas, em um caso flagrante de ‘inside information’. Aliás, ele era mais do que um insider. Era o economista com dupla militância, ajudando a definir as regras do Real e, depois, operando no mercado em cima dessas margens”. (Pág. 187)
. “... algumas instituições começaram a atuar pesadamente no mercado de câmbio, apostando na apreciação do real... a mais agressiva foi a DTVM Matrix... com capital de R$ 14 milhões passou a ter uma carteira de R$ 500 milhões. Seu principal sócio era André Lara Resende“. (Pág. 197) . “Para fortalecer a posição dos “vendidos” (como o Matrix de André), nos meses que antecederam a implantação da nova moeda, Winston Fristch reuniu-se reservadamente em São Paulo com instituições financeiras... fornecendo o mapa da mina da apreciação do Real... Um dos presidentes de instituição financeira presente me contou a surpresa deles ao ver um membro do Governo passando o mapa da mina cambial”. (Pág. 198) . Esses relatos espantosos fazem parte do livro “Os cabeças-de-planilha”, de Luis Nassif, da Editora Ediouro, que acaba de ser lançado. . Esta é provavelmente a denúncia mais grave já feita sobre as maracutaias na política econômica brasileira. . Sobre a promiscuidade entre o público e o privado. . Sobre o que se passa, na verdade, por trás da ciência dos cérebros que oferecem à mídia conservadora e aos bancos as idéias luminosas que deveriam orientar essa infeliz Nação. . Eles, os sábios. “A Nova Renascença”, como dizia o “Rei Filósofo”, FHC. Eles, os especialistas em “inside information”... . André Lara Resende foi um dos formuladores e, como demonstra Nassif, o maior beneficiário do Plano Real. . Não há como atribuir a apreciação do Real, na largada do Plano, a uma barbeiragem, ou a um “erro técnico”, como prova Nassif. . Está mais parecido com um “business plan”. . A melhor explicação, como diz Nassif, é que houve um trabalho em cima de “inside information”, em que Resende sabia que o “erro” seria cometido e os gênios do Governo FHC não o corrigiriam. . Por que não corrigiram? . Nem FHC, o Farol de Alexandria, que lançava luzes sobre a Antiguidade, sabe explicar. . A entrevista que FHC deu a Nassif, em fevereiro deste ano, é patética. . Por três vezes ele diz que não sabia do que acontecia – e não sabia o que acontecia sobre o Plano Real, que mudou a economia, a moeda e o país (para o bem e para o mal...) . E por cinco vezes ele diz que não foi consultado. . Não foi consultado sobre questões centrais da reforma do Plano Real. . É espantoso !!! . Espantoso também é o que conta Nassif, na Pág. 211: “André Lara Resende via o plano como uma forma de enriquecimento e ascensão social. Depois de enriquecer com o Real, realizou sonhos adolescentes de comprar carros e cavalos de corrida – que transportou de avião para Londres, quando resolveu passar uma temporada por lá”... . Na época, no mercado financeiro, se dizia que, nessa tacada, André embolsou US$ 500 milhões. . Leia a seguir a entrevista que fiz com Nassif, nesta segunda-feira, dia 16. Realizei uma pequena edição, para facilitar a leitura. Portanto, a versão em áudio (clique aqui para ouvir) não é exatamente a mesma da versão em texto, que se segue. Leia a seguir a entrevista com Luis Nassif sobre o golpe (ou a tacada) do Real: Paulo Henrique Amorim - Eu vou conversar agora com o meu colega jornalista Luis Nassif, que acaba de lançar o livro "Os Cabeças de Planilha". Até onde eu entendo, o livro é uma comparação entre a reforma monetária de Rui Barbosa, de 1890, e o Plano Real, de 1993, não é isso? Luís Nassif - Isso. Paulo Henrique - São 100 anos de distância entre um e outro, mas muitas similaridades, não é isso? Nassif - Muitas, muitas. Paulo Henrique - Eu queria entender o papel do André Lara Resende, um dos economistas mais importantes na formulação do Plano Real. Você na entrevista que deu ao Sergio Lírio, na Carta Capital, diz que o André, ao mesmo tempo foi beneficiário e formulador do Plano Real. Como assim? Nassif - A gente tem uma discussão que começa em 1993 sobre a troca de moeda. O ponto central tanto do Rui Barbosa quanto do Plano Real é o modo como se troca a moeda. Porque, dependendo do modo, como você define por onde a moeda vai caminhar você define quem vão ser os vitoriosos. E foi definido um modelo de troca de moeda ou de introdução do Real com base na compra de reservas cambiais. Ou seja, só quem tinha dólar podia transformar os dólares em reais. Então, o dinheiro ia pra economia e o Banco Central enxugava aquele dinheiro. Quem tinha acesso a reais e não tinha dólar ficava esmagado. Agora, o ponto central foi que a lógica do Real, por tudo o que se sabia, era, quando a URV virasse Real, era manter a paridade com o dólar. Você se lembra que um dos slogans do Real era "o primeiro plano em que não haveria surpresas". Tanto que o Rubens Ricupero (Ministro da Fazenda, depois de Fernando Henrique Cardoso), que pega o bonde andando, faz o discurso na véspera da entrada em vigor da nova moeda reiterando que a paridade seria um Real por um dólar. De repente, essa paridade cai para cada dólar valendo 90 centavos de Real, da noite para o dia. Algum tempo depois, para 80 centavos. E você tinha no mercado financeiro um grupo de instituições que apostou numa valorização do Real. Tudo montado ali para ter uma apreciação do Real. Eu investiguei que ordem de equívocos, que razões de ordem teórica, técnica, para explicar essa imprevista apreciação do real. Você vai bater nos estudos que foram feitos antes do Real pela equipe econômica e eles já tinham detectado o risco da apreciação do Real e sugeriam medidas para impedir a apreciação. De repente, a equipe econômica esquece tudo isso e permite a apreciação para 90 centavos, e depois para 80 centavos. Quando chega a 80 centavos chegam a dar declarações de que era preciso cair para 70 centavos de Real. Nesse ambiente é que o André Lara Resende monta o banco Matrix especificamente para se aproveitar daquele momento... Paulo Henrique – Dessa apreciação do Real... Nassif - Dessa apreciação e, depois, passar o banco pra frente. Paulo Henrique - Então, eu te pergunto: o que você está querendo dizer é que o André Lara Resende, que ajudou a formular essa conversão de URV para Real sabia que ia ter uma apreciação e abriu um banco para se beneficiar disso Nassif - Isso. Paulo Henrique – É isso? Nassif - É. Paulo Henrique - O André Lara Resende ... Nassif - Acho que um pouco mais. Foi cometido um erro, um erro que não tem base na lógica do Plano Real e pessoas - o André foi o que mais se beneficia disso - que participaram da formulação do Plano se beneficiaram disso. Paulo Henrique - Quer dizer, um erro que o André sabia de antemão que haveria? Nassif - Isso. Paulo Henrique - Ele sabia que ia ter esse erro. Nassif - Sabia que teria erro. Como participante e formulador ele sabia que ia ter esse erro. Ele não considerava um erro. As pessoas que comentavam na época sabiam que era um erro. Você se lembra que eram apontados como inimigos da pátria. Paulo Henrique - Claro, o Delfim Netto, por exemplo. Nassif - Quem denunciava os erros era "lobista da Fiesp". Eu fiz uma entrevista com o presidente Fernando Henrique que fecha o livro e eu perguntava: "Mas presidente, por que o erro não foi corrigido?". [Fernando Henrique respondeu:] "Mas não se sabia que havia o erro". Mas tinha pessoas que alertavam que havia. [Fernando Henrique respondeu:] "Ah, mas essas pessoas criticavam tanto que parecia que era uma crítica sistemática". Ou seja, eles trataram de anular as críticas e depois disseram que não tomaram decisões porque a maioria da opinião pública não acreditava nas criticas que eles se incumbiram de desmoralizar. Paulo Henrique - O presidente Fernando Henrique... você perguntou a ele se ele sabia que o André tinha aberto o banco Matrix pra se beneficiar desse erro? Nassif – Não. Eu não perguntei por que, na época, aí que entra essa questão dos planos econômicos, porque a tendência sempre, devido a um profundo grau de desinformação de grande parte da mídia, partidos políticos e tudo, você aceita tudo o que vem dos grandes planos econômicos, como se tivesse uma racionalidade por trás disso. Na época, não se sabia que era erro. O André, quando montou o banco Matrix, a intenção expressa não era se beneficiar do erro. Mas estava na cara. Em dezembro de 94, inclusive, eu tinha escrito uma coluna onde eu já tinha intuído que havia, digamos, um modelo de negócios, da maneira como o câmbio foi conduzido, que era muito louco. Paulo Henrique - Eu posso dizer, Nassif, que a valorização da moeda brasileira corresponde ao modelo de negócio de um banco brasileiro? Nassif – Não de um banco, mas de um grupo, porque o que aconteceu ali... Paulo Henrique – Mas, que outro banco além do Matrix? Nassif - Houve reuniões alguns meses antes com bancos de investimento onde foi mencionado qual seria a trajetória do câmbio. Tinha uma briga entre os comprados e vendidos em dólar. Os comprados em dólar eram multinacionais ou grandes empresas que queriam se defender contra a desvalorização do câmbio. Na ponta dos vendidos você tinha esses bancos de investimento, que se articularam. E você tinha uma terceira ponta que poderia desequilibrar - eram os bancos comerciais. Ou seja, num determinado momento em que o câmbio estivesse muito apreciado, estes bancos comerciais poderiam pegar linhas comerciais, entrar no mercado e desequilibrar o jogo. Só que estes bancos comerciais são afastados do jogo através de uma regra do pessoal do Banco Central... Paulo Henrique - Na época era o Pérsio Arida? Nassif - Não era o Pérsio, não. Foram o Pedro Malan e o Gustavo Franco. No segundo semestre de 94. Eles dizem que o câmbio pode oscilar entre menos 15, mais 15: então, criaram uma insegurança em que o banco comercial não pode entrar. Quem fica no jogo? Os bancos de investimento, pressionando para o lado dos vendidos, a política monetária pressionando para o lado dos vendidos. Agora, a parte mais interessante – foi quando fechou para mim o raciocínio. Eu vinha especulando sobre as razões daquilo em algumas colunas que escrevi na Folha - e comecei a avançar quando saiu o livro da Maria Clara. Paulo Henrique - A Maria Clara do Prado, nossa colega no iG? (“A real história do Real”, Editora Record; clique aqui para visitar o site de Maria Clara do Prado) Nassif - Isso, isso. Ela participava como assessora, tudo. Paulo Henrique - Do ministro Malan. Nassif - Ela levantou os trabalhos feitos antes do Plano, e ali fecha tudo. Todos os desastres que ocorreram, já haviam sido previstos por eles, inclusive com soluções para prevenir os desastres. Paulo Henrique - E por que não corrigiram, Nassif? Nassif – Aí que entra a presunção de que havia algo além da teoria na maneira como conduziram o plano. Paulo Henrique - A sua suspeita é que houve uma condução que beneficiava um modelo de negócios de bancos de investimentos, inclusive o banco do André ? Nassif - Minha presunção é a seguinte: assim como Rui Barbosa, vamos dar o primeiro lance aqui, e depois vamos corrigir ao longo do tempo. Só que o primeiro lance condiciona os seguintes. Paulo Henrique - Dava uma tacada e depois arrumava a casa? Nassif - Isso. Dos dois pontos que saíram da previsão do Plano, o déficit em conta corrente apareceu muito antes do que se esperava, em dezembro. E quando teve o déficit teve uma pressão por desvalorização. Aí, o Edmar Bacha e o Gustavo (Franco) disseram "não, o câmbio tem que ir pra 0,70". O Pérsio fica escandalizado: "Como, vocês são malucos?". Isso está no livro da Maria Clara. E depois teve a crise do México. Em dezembro, de 94 a crise do México provocou pequenos movimentos de câmbio aqui que levaram a prejuízos de mais de 100 milhões de dólares para o pessoal que estava na ponta vendida. E teve um seminário lá¡ no Banco Central... Paulo Henrique – Aí, o André perdeu dinheiro? Nassif - Não sei. Teve uma leve oscilação ali. Porque o que ocorreu ali foi que teve um seminário no BC do Rio em que o Francisco Gros - olha a coincidência, naquele dia eu tinha escrito sobre a crise mexicana - ele faz uma apresentação em que diz que na avaliação do JP Morgan, onde ele trabalhava, o México era o país de menor risco na América Latina. Provocou uma gargalhada geral. Você ficava sem entender, não era possível ele dizer que o câmbio tinha que ir para 0,70, que o déficit tinha que ser o dobro, que o México era o país com o menor risco... Era muita batatada para um pessoal tão competente, entendeu? Paulo Henrique - Na verdade, era um “business plan”? Nassif - A hipótese que deu para fechar ali foi que se deu um primeiro movimento e depois se perdeu o controle. Naquele período eles estavam absolutos no pedaço. Paulo Henrique - Eles eram os gênios da República, A Nova Renascença, como diz você. Fernando Henrique chamou de A Nova Renascença. Nassif - Fernando Henrique tinha saído candidato à Presidência, o Ricupero assumiu sem entender as tecnicalidades... Paulo Henrique - E o Fernando Henrique sabia? Nassif - Acho que o pecado dele foi lá na frente, na hora de corrigir o erro. Paulo Henrique - Você entrevistou o FHC. Ele dá a sensação de que sabia, dominava essa questão? Nassif - Todos os pontos que eu perguntei, que eram pontos centrais desse modelo - compra de reservas cambiais, o fato de você estimular a fuga do grande capital de volta - ele dizia que não tinha sido consultado. Paulo Henrique - Ele não tinha sido consultado? Ele era consultado para que ? Nassif - Por exemplo, vamos pegar um ponto grave. Em dezembro ele já eleito, o Serra indicado ministro do Planejamento. Já se sabia que ele e Pérsio queriam mudar o câmbio, inclusive pensam até em pedir ao Itamar Franco para fazer uma desvalorização nos moldes do que o Sarney fez a pedido do Collor. A crise do México atrapalhou. Nos últimos dias do ano o BC faz uma emissão de títulos com clausula cambial. Qual a lógica disso? Paulo Henrique - E como o Fernando Henrique explica isso? Nassif - Ele dizia que não tinha sido consultado. Paulo Henrique - Quer dizer que o BC e o Ministério da Fazenda operavam à revelia do Presidente? Nassif - Naquele segundo semestre, o Itamar ainda era o Presidente. Eles pegavam o freio nos dentes. Primeiro, entrou o Ricupero e pegou o bonde andando. Depois entrou o Ciro Gomes, que não entendia também das tecnicalidades, e eles convenceram o Ciro a manipular aquele discurso de que quem era a favor da mudança do cambio era inimigo da pátria. Foi uma violência, você lembra. Aí eu pensava: será que estão fazendo isso para queimar o Serra, que era a favor da mudança ? Mas era muita virulência, ia queimar o Ciro, e ele entrou de cabeça... Paulo Henrique - Mas peraí, quando houve a crise do México o Presidente era o Fernando Henrique. Paulo Henrique - Você entrevistou o Gustavo Franco? Nassif - Eu entrevistei o Gustavo sim... Paulo Henrique - E ele disse o que dessa sua tese? Nassif - Que havia um risco de inflação. Quando eu entrevistei ele não tinha saído o livro da Maria Clara. Paulo Henrique - Você entrevistou o André? Nassif - Não. Paulo Henrique – Você tem medo que ele te processe? Nassif - Os ganhos do Matrix são ganhos públicos, tem balanços, tem tudo aí. Paulo Henrique – Você conhece, evidentemente, o papel do André. Eu assisti a isso numa solenidade em Toronto, na negociação final da divida externa brasileira, em que o André, ele durante a solenidade, participa da equipe brasileira que assina a renegociação da dívida externa e, a partir de certo ponto, ele se senta na platéia - já tendo comunicado que deixava o governo naquele instante – se senta como banqueiro. Eu estava sentado ao lado de um diretor do Citibank, que me perguntou assim: "você sabe qual dos dois chapéus o André usa? Se o chapéu de autoridade monetária ou o chapéu de banqueiro, como eu?". Nassif - Então faltou te entrevistar, Paulo Henrique. Paulo Henrique - Na dívida externa o André deve ter desempenhado também um duplo papel... Nassif - Na dívida externa você faz os contatos, você cria um relacionamento amplo. E no começo dos anos 90, já estava claro qual seria o negócio do século para esses bancos de investimento: seria a reciclagem da poupança brasileira que estava lá fora. É a poupança que se manda nos anos 80, desde o início, com o caso Tieppo, depois do bloqueio do Collor, ela vai inteira pra lá. Então, eu diria que a intenção inicial desses bancos era fazer a reciclagem dessa poupança.. Esse foi um grande negócio. Mas, no meio do caminho, de repente, você a tem a chance de ganhar com a apreciação do Real, uma apreciação que ninguém esperava e que compromete todo o restante. Paulo Henrique - Que faz, inclusive, com que o Brasil tenha essa dívida interna hoje brutal. Nassif - Ele fez parte do núcleo central. Os caras que tinham melhor estudado o tema eram o Pérsio e o André. Paulo Henrique - O famoso ensaio “Larida”. André Lara e Pérsio Arida, não ? Nassif - Isso. Isso. O Gustavo Franco entra no meio do caminho sem ter ainda a cancha dos dois, mas o Gustavo sempre foi o mais organizado, o cara que sistematizava. Mas o André foi fundamental. No começo ele queria que fosse um "currency board", que nem teve na Argentina de Domingos Cavallo. Agora, o interessante é que quando você pega os estudos prévios, a única coisa que não aparece nesses estudos é o essencial: o modelo da monetização, como vai ser a compra de reservas cambiais. É o que dá a base para você esmagar o setor interno da economia, aquele que não tinha acesso ao dólar. E dá todo o espaço possível ao setor que tinha acesso aos dólares. Quando você pega todos os pontos - como os bancos comerciais são afastados disso, você tem primeira apreciação do câmbio, tem a segunda desvalorização do câmbio. Depois que você chega naquela posição, vê que está tudo arrebentado ... não dá para você ficar no mero erro teórico ... Paulo Henrique - Ainda mais com mentes privilegiadas como essas... Nassif - Paulo, eu sou um jornalista econômico. Em 94 e 95 eu tenho todas as minhas colunas prevendo isso. E eles com o conhecimento deles e tudo mais e todas as ferramentas do Banco Central, todos os números na mão tinham mão previram ? Depois, quando você pega os estudos prévios, estava tudo lá: "pode acontecer isso, isso e aquilo. E pode ameaçar o plano. Então, para isso, isso e aquilo nós vamos tomar essa, essa e essa medida". E quando você termina o período todo, nenhuma medida foi tomada e todos os pontos que eles apontavam como vulnerabilidade da economia tinham piorado por conta dessa decisão, desse modelo de remonetização da economia. Paulo Henrique - Quer dizer que o Presidente Fernando Henrique não era consultado? Nassif - Não, em nada. Paulo Henrique - Nada? Nassif - Em nada.
FHC: “O ESTOURO VEM AÍ” O livro “Os cabeças-de-planilha”, de Luis Nassif, faz revelações espantosas sobre a “tacada” de um dos formuladores do Plano Real, André Lara Resende.
. André, que foi um dos pais do Plano Real e se tornou seu maior beneficiário. . O livro contém uma entrevista que Nassif fez em fevereiro de 2007 com Fernando Henrique Cardoso, o Farol Alexandria, aquele que lançava luzes sobre a Antiguidade. . FHC demonstra que não sabia e nem foi consultado sobre aspectos cruciais do Plano. . Mais do que isso, a entrevista de FHC, o suposto gênio da intelectualidade conservadora brasileira, não diz coisa-com-coisa sobre o Plano Real, nem sobre os impasses que seu Governo viveu. Nem sobre o futuro do Brasil. . É uma misturança de conceitos imprecisos e idéias mal concebidas. . Isso não é muita novidade. . Só a mídia conservadora (e golpista) ainda presta atenção às “idéias” de FHC. . Nem o PSDB presta mais. . Porém, a entrevista demonstra o sentimento “secreto” de FHC sobre o Presidente Lula e o destino do Governo Lula. . Em suma, FHC considera Lula um despreparado e que seu Governo vai “estourar” a qualquer hora. . Vejam só. . Pág. 310, sobre a necessidade de liberalizar a economia: “não sei o que vai acontecer agora, porque o Governo está bem dividido nessa matéria. E aí entram os custos. (???) O Lula sabe menos do que eu. Ele não vai arbitrar. Não consegue nem montar o Governo. Vai ter um puxa pra lá, puxa pra cá. Houve no meu Governo também, porque é constitutivo de interesses que se chocam”. . (Ganha um doce quem souber o que ele acha e pensa sobre a matéria...) . Sobre o estouro do Governo Lula, Pág. 308: “Como agora. Você vai ver que em determinado momento vai haver um estouro. Quem vai poder mudar isso agora?” . Que estouro? . É uma torcida? . Um vaticínio? . Ou “quanto pior melhor”? Paulo Henrique Amorim COMO O GLOBO ENTREVISTA A entrevista que O Globo fez com o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, na página 3, da edição impressa de hoje, domingo, dia 08, revela uma nova técnica de entrevistar.
. É assim: - O senhor matou Dana de Tefé? - Não. - O senhor assaltou o trem pagador? - Não. . O senhor era um dos policiais da chacina de Vigário Geral? . Não. . O senhor apunhalou César pelas costas, na escadaria do Senado? - Não. - O senhor rouba cego na porta da igreja? - Não.
- Não. - O senhor emite gás carbônico e aquece a Terra? - Não. - O senhor violou a conta do caseiro Francenildo? - Não. - Foi o senhor quem lavou as mãos e levou Cristo à cruz? - Não. . O título da “entrevista” é: “Suspeito diz que não lavou as mãos”. . A “entrevista” não oferece uma única informação. . Porém, associa o suspeito aos feitos enunciados nas perguntas... Paulo Henrique Amorim É lamentável heim!!!!
Educação!Entre a Finlândia e o Piauí "Os sistemas educativos que deram certo no mundo são simples,
óbvios e robustos. Praticam o feijão-com-arroz da educação"
A Finlândia tem o melhor sistema educativo do mundo. O Piauí possui a melhor escola secundária do Brasil. O que mais haverá de comum entre a Finlândia e o Piauí? É simples, ambos praticam a teoria do feijão-com-arroz educativo. Ouvindo alguns oráculos da nossa educação, sentimos falta de um dicionário para entender certas palavras e de suplemento de oxigênio para navegar nos ares rarefeitos das teorias recitadas. Para outros, sem doses fartas de tecnologia nada se vai resolver. Mas, esquadrinhando o mundo em busca dos sistemas educativos que deram certo, vamos descobrir que são simples, óbvios e robustos. Praticam o feijão-com-arroz da educação. Vejamos o que dizem as pesquisas peneirando os traços comuns das boas escolas e dos bons sistemas. • Boas escolas têm clara percepção dos rumos em que navegam, isto é, possuem metas. Além disso, são poucas metas, que não mudam de uma hora para outra e são compartilhadas por todos. E não é só isso. As metas são quantificadas (exemplo: em dois anos, ganhar tantos pontos nos testes). • O ambiente é sempre saudável, os fluidos são bons e os professores estão satisfeitos. De fato, para os professores, a atmosfera da escola é pelo menos tão importante quanto o salário. Ademais, a sociedade valoriza e prestigia os professores. • As autoridades dão às escolas muita autonomia para operar. Há forte liderança do diretor ("a escola tem a cara do diretor"). Ele manda. É um real gerente, estando livre para se mover. Mas deve atingir as metas estabelecidas, e seu desempenho é avaliado com rigor. Quase não é preciso dizer: nem sua indicação é moeda de troca na política nem ele é eleito pelos seus pares. • Sejam públicas ou privadas, as escolas são administradas como as boas empresas. Há cobrança de resultados e vantagens para quem desempenha bem seu papel. Os melhores mestres são colocados nas turmas mais difíceis. Ao mesmo tempo, malandros e incompetentes ganham puxões de orelha. • Provavelmente, os professores nunca ouviram falar nem nos autores nem nas teorias da moda pedagógica. Contudo, conhecem bem os assuntos que ensinam e aprenderam a ensinar. De fato, pedagogia para eles significa saber ensinar cada ponto da matéria. • Há muita ênfase em aplicar as teorias em problemas da vida real – em vez de decorar fatos, fórmulas e definições. Os livros são de boa qualidade, detalhados e universalmente usados. Os professores não precisam "criar" sua aula (embora não esteja proibido), pois existe uma retaguarda de planejamento e explicitação de tudo o que acontece na aula (os livros e os guias dos professores oferecem bancos de perguntas, de exercícios e de aplicações práticas). • Os currículos oficiais são claros e precisos, dizendo exatamente o que é para ser ensinado e aprendido. Segundo um funcionário do Ministério da Educação da Finlândia: "Nosso currículo prescreve, nossos professores ensinam e nossos alunos aprendem as mesmas competências e conhecimentos que são avaliados no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos)". • A sala de aula é convencional. Existem avaliações freqüentes, bastante dever de casa e muito feedback para o aluno. A jornada de trabalho é longa (pelo menos cinco horas), mas não há necessariamente tempo integral. Os alunos são seriamente cobrados e precisam estudar. A disciplina é "careta" (por exemplo, não se pode conversar durante a aula). • A família acompanha a vida escolar do aluno e o vigia de perto, para assegurar que ele fez o dever de casa. Além disso, conversa muito com ele e garante a existência de um ambiente físico e psicológico que favorece o estudo e o aprendizado. Televisão berrando ou sintonizada na novela pode ser a distração da família, mas desvia o aluno do seu maior projeto de vida, que é a educação. Quando examinamos as melhores escolas do Enem, lá está também a predominância da doutrina do feijão-com-arroz, observada nas melhores escolas de outros países. Colecionam os melhores lugares as instituições (confessionais ou não) de tradição rígida, os colégios militares e outras do mesmo estilo. Ainda bem que não são necessárias fórmulas mirabolantes para oferecer uma boa educação. Enya - Storms In Africahttp://www.youtube.com/watch?v=_TA8_RP0uo8 “BRASIL E CHINA MUDAM COMÉRCIO MUNDIAL”. Há duas maneiras de não se aborrecer com a leitura da mídia conservadora (e golpista) do Brasil. . Sugestão um: não ler nada. . Sugestão dois: ler a imprensa estrangeira. . A mídia conservadora (e golpista), como se sabe, é catastrofista. . Torce pelo “quanto pior melhor”. . Por exemplo, quando a Bolsa de São Paulo sobe, há duas maneiras de a mídia conservadora (e golpista) dar a noticia: . Jamais é “quem investiu na Bolsa se deu bem”, além de Daniel Dantas e Naji Nahas. . Sobre o fracasso retumbante do Governo Lula (apesar de o “risco Brasil” estar no ponto mais baixo da sua história), há varias maneiras de acentuá-lo. . Por exemplo, dizer que não deu em nada o acordo sobre etanol com os Estados Unidos. . (A propósito, não está na hora de entrevistar o embaixador Abdenour sobre “o anti-americanismo” da política externa brasileira?) . Ou que o Brasil “desobedeceu” às ordens dos Estados Unidos e a Petrobrás continua a explorar magníficos poços de petróleo no Irã. . Como o Brasil ousa desafiar a sensatez americana? . (A propósito, por que a mídia conservadora não pede à Shell para sair do Irã no mesmo dia em que a Petrobras? Ou, por que não pedir à ONU para incluir o comércio do petróleo nas sanções contra o Irã? Por que será que a ONU não fez isso até agora, hein, amigos da Shell?) . Outra maneira de espinafrar o Governo Lula é criticar a decisão de reconhecer que a China é uma economia de mercado. Foi um desastre. . Então, está na hora de ir ao New York Times, para ver o que o Brasil ganha por ser amigo da China. (Clique aqui para ler no New York Times “A colheita da China no Brasil”) . Diz o NY Times (e aproveite, porque você jamais lerá isso na mídia conservadora - e golpista - do Brasil): . A nova ligação Brasil-China provocou uma mudança profunda no comércio agrícola mundial. Antes, o maior comercio bilateral de alimentos era entre os Estados Unidos, o maior exportador, e o Japão. Hoje, países com vasta área de terra agriculturável, como o Brasil, correm para atender à demanda da China. . Em 2006, o Brasil vendeu 11 milhões de toneladas de soja à China. Isso é 50% maior do que em 2005, e duas vezes o que exportou em 2004. . O Brasil hoje planta em 175 milhões de acres e pode dobrar essa área - e se igualar à escala dos Estdos Unidos - sem devastar mais a floresta tropical da Amazônia. (Nesse capítulo, aparentemente, os correspondentes do New York Times cometeram a imprudência de não consultar Miriam Leitão, que tem demonstrado, de forma inequívoca, que a expansão agrícola do Brasil, especialmente a produção do etanol, será um desastre ecológico. Leitão, como se sabe está numa fase “verde”.) http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/425001-425500/425305/425305_1.html CONTROLADORES PEDEM PERDÃO E LULA NÃO CAIO que deveria acontecer neste fim de semana prolongado (segundo a mídia conservadora e golpista):
. Apagão aéreo. . Haverá apagão antes da Páscoa, durante a Páscoa e depois da Páscoa. . Da Páscoa deste ano e até 2010, quando o presidente eleito José Serra suceder o atual ocupante do cargo. . Militares dão ultimato ao Presidente Lula. . Sargentos se reúnem no Sindicato dos Metalúrgicos e desafiam o Governo a mandar prende-los. . Waldir Pires cai e o Presidente Lula tem que nomear o tenente Brigadeiro do Ar, Ivan Frota, presidente do Clube da Aeronáutica, para o lugar de Pires. . Lula, pressionado, anistia todos os sublevados, inclusive os netos dos que fizeram o levante de Jacareacanga, no Governo JK. . Paulo Bernardo dá aumento de 100% a todos os controladores. . Fica extinto o Ministério da Defesa. . Instala-se a CPI do Apagão, com a presidência de José Carlos Aleluia. . ACM Neto sobe à tribuna e pede o impeachment do Presidente Lula. . Gregório Fortunato é preso no exato momento em que dava as ordens para mandar matar o Presidente Lincoln. . E o que foi que aconteceu? . Os controlares pediram perdão ao povo brasileiro. (Clique aqui para ler sobre o pedido de perdão) http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/425001-425500/425304/425304_1.html |
|
|